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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Esvaziamento afetivo

De que serviram aqueles beijos?
Devolve um por um,
Desfaz todos os ensaios
feitos da sua língua na minha boca
agora cospe toda minha saliva
nesses dias que ficamos juntos,
agora pega suas coisas
e seus mesquinhos sentimentos
e some, de vez!
não olha pra trás.
não fica, não marca,
a única coisa que sobrou...
foi esse espaço vazio que nos separam,
essas vidas díspares.

Celso Andrade.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Pequeno poço


Sinto apenas uma vontade de aquietar-me o espírito, de encostar-se ao canto e não pensar em nada, se almenos conseguisse..., sinto meu corpo fora do chão, o coração aflito palpitando, feito criança esperando o castigo que não vem, nunca virá , descobri que a vida não é apagável, que a morte de uma esperança faz nascer uma mais violenta, mais voraz, mais madura, e acabamos ficando presos a espera do que virá, ainda na escuridão do poço de mim mesmo eu consiga dizer algo bom e belo, e que meus ouvidos nunca sejam tapados para a música que ainda longe, eu consiga ouvir seus ínfimos versos, versos que permita-me amar mais, ver melhor as coisas e as pessoas.

Celso Andrade.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009



Diante da possibilidade da exposição, do mal que nos querem fazer,eu viajo ao mais eu profundo e misterioso, cheio de cargas pesadas, escuras de tanta fobia escondida nisso que chamamos carga emocional, desse meu eu também escondido para não mostrar fragilidade nem covardia diante de coisas, talvez que imaginamos saber, sem ao menos ter certeza somos postos a enfrentar algo que talvez esteja em nós mesmos, sem que ninguém saiba do que se trata, lutamos contra tudo e todos dentro de nós, dos medos aparentemente fúteis, das eventuais falta de esperança, do medo da solidão, de fraquejar perante o que chamamos inimigos da alma, como tudo na vida passa, e essas provas que nos são impostas ficamos atônitos e aflitos, somos invadidos por um sentimento terrível chamado solidão, ela tem me acompanhado durante um certo tempo, limitando e podando tudo dentro e fora disso que chamamos ser humano passível de todas as experiências boas e ruins, o bom disso tudo é que todas as coisas estão debaixo do tempo, até os sentimentos mais depravantes são limitados por ele, que cura, acalma e conforta nossos temores diante da vida.

Celso Andrade.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Dançar a vida

A vida não presta
e o que me resta
dessa tola festa
acontece nesse morro
onde sempre corro
pra não morrer
nem me perder
dessa gente
quente
que dança e canta
pra não morrer
se sede, de amor de ardor
de sentir o tambor que toca
em mim, em ti,
em nós até o fim
dessa festa que não acaba
nunca nem aqui.


Celso Andrade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Coração de criança



A inocência que nas crianças habita
invada casas derrube muros,
e em escombros quebrante corações
assassine a fome e encha panelas
e tire esses olhos das janelas
que insiste em nos vigiar.

A paz que nas crianças habita
faça-nos sóbrios
nesse mundo de cão
que em uns suscita ira,
em outros sofreguidão.



Celso Andrade.


quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Amor vagabundo


Coração amante
sem planos de ficar
passeia entre corpos
medroso em dizer
sozinho a amar:
troca-se por trocados,
trocados recebe e dá
sozinho na vida
quem em ti cair
maldito será.
Do dia só lhe resta
umas horas:
bem dormidas
bem amadas
que talvez durante o dia
jamais será encontrada.
seu amor é de todos
e nunca de algum e diz:
nem todo amor é pra casar
nem todo bom sexo é de namoro
nem todo beijo é pra romancear.
nem todo amante é de ouro.


Celso Andrade.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Edificações afetivas



Que queres de minha casa de tijolos?
cimento ciumento de tanta espera:
endurecido.
Que queres de minhas retas paredes
prumo?
és infiel de tanto ajeitares casas alheias:
torto.
Desiluda-se trator,
nunca carregarás meus escombros:
o muro com que fui levantado
nunca descansarás em teu ombro.
Vai a outro terreno engenheiro
que a casa que não construístes
não está a ermo,
ainda resiste a queda:
pois amor possuístes.

Celso Andrade.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Encontrei-me por um instante


Deparei-me diante de mim mesmo, no momento em que as coisas pareciam fluir como aparentemente devem ser, caiu minha máscara diante do espelho que chamamos vida, fiquei diante de mim mesmo, só, eu o que vive através dos sentidos e eu o que vive diante dos afetos.Nunca imaginaria que esse momento pudesse chegar , não que eu quisesse , a máscara nos é colocada talvez por precaução, dos falsos sentimentos, das eventuais frustrações,mas naquele momento tive que suportar todas as minhas convenções, todos os desejos, vontades e anseios, que sem saber estão em meus sentidos, me senti sujo, imundo, no lugar e momento errado, mais uma vez o arrependimento invadira minha alma, inundou minhas veias, eu que achava que tudo estava a meu favor, senti como se uma corda estivesse partida em baixo dos meus pés, solto no ar, minha face pareceu mais assustada que nunca, no lugar do meu coração parecia ter um buraco, um vazio aparentemente visível, era olhado por todos e por nenhum, tive a sensação de não querer estar vivo, diante de tudo que eu defendia, fui surpreendido por diversas escolhas, que já não mais poderiam ser feitas, lá estava eu sôfrego, quase no fundo do poço de mim mesmo, naquele lugar de almas esguias de fome por pessoas sedentas de aparência, vesti-me e fui embora, disse para eu-afetivo que nunca mais poria meus sentimentos em risco, que controlaria minhas vontades , saí correndo parecendo que corria para o fim, para o nada, sabia que depois daquele encontro comigo mesmo, as coisas teriam outro sabor, outras cores, outra intensidade, joguei a máscara fora e fui para casa chorar um pouco, ao menos para aliviar o impacto que eu mesmo entrei, como um ator que entra no palco sem saber o roteiro e o que lhe resta é a sorte.


Celso Andrade.

Parodiando Osvaldo Montenegro



Que a minha luxúria seja perdoada...
Porque metade de mim é
Paixão,
e a outra metade
Desejo.


Celso Andrade.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

texto frio para uma despedida...


Desculpa, mais minha última lembrança que tenho de você foi o nosso último encontro naquela cafeteria, a tua mente confusa falando sem parar ao meu silêncio totalmente perceptível, pelos garçons que nos olhavam mudos, por aquelas senhoras bem vestidas da mesa ao lado, foi nosso último contato depois daqueles dias de pura luxúria, nossos corações de pedra jamais se abririam aquela sede carnal camuflada por nossas faces de meninos buscando talvez aventuras sexuais, amorosas, sei que buscarás outros corpos como o meu, em meio a tantas almas sujas diferente da minha que é altamente misteriosa, nunca se mostrar, descobrimos o caminho, sem nenhuma palavra pronunciada tive a complacência de levantar-me a tantos pedidos extravagantes de uma pessoa vazia como você, hoje na maturidade que te encontra posso falar-te o quanto a sua ingenuidade nos afastou, não nego que seria incapaz de amar-te como naqueles dias de tanta sede e expectativa entre nós. O que em semanas foi teu e meu, foi quebrado no instante que depois de o gerente negar a conta, você entrou por aquela rua,(a mesma do dia em que nos conhecemos) de cabeça baixa já sem palavras a ser pronunciada, sentei na calçada ainda com gosto de capuccino na boca e lembrei o quão foram envolventes os nossos momentos de alegria transformados em goles, e silêncios...



Celso Andrade.




Onde estiver anseio morrer bebendo dessa salgada água
E o vento que te faz “onda” leve-me para perto de ti
Porque o meu doce rio de águas escuras
Almeja ser desaguado pelo seu mar de felicidade.

Que o teu mar de felicidade escorra por minhas veias
E inunde-me os olhos
Encha-me a boca de saliva por beijos salgados
E me afogue em teu corpo suado de menina-mulher.


Celso Andrade.


quarta-feira, 19 de agosto de 2009


Profundo como poço que estás jogado
é o meu olhar,
sem palavras que possam atrapalhar-me,
atravesso-te fixo em meus negros olhos,
com toda incompreensão que você é capaz
faço-te ir ao mais obscuro
das minhas pupilas,
dilatadas para enxergar
o teu vazio e mudo olhar
de solidão.. e esperança...
camuflada,
em teus claros olhos
sedentos, sem lágrimas,
tão seco quanto o deserto
onde caminhavas antes de nos conhecer,
e que a mão que te tapas a visão
seja lançada fora,
porque a impede que você veja
meus claros afetos.

Celso Andrade.

terça-feira, 18 de agosto de 2009





As portas estavam abertas,
abertas as deixei durante anos,
todos os dias eu espiava
para ver se ele estava voltando
não havia sinal algum,
depois de certo tempo resolvi fechá-las,
todos os dias
ao acordar sozinho
sem sinal dele
encostava um centímetro
daquelas imensas portas
talvez nem tão envelhecidas,
até que um dia foram cerradas.

Depois daquele dia, ouvi batidas,
vozes desesperadas
pessoas aflitas, sedentas...
não podia voltar atrás
uma vez cerrada a parta,
o passado é apagado da memória
“o amor não chegou no tempo "
trancada as portas da afetividade
trancado também o coração
mesmo se tentasse abrir não conseguiria,
hoje vivo de pular janelas...
fraco estava para me levantar
seria incapaz de gostar de alguém
tudo fechado,
sem esperança,
oxigênio, e força,
morreu o que um dia chamei
“ amor".



Celso Andrade.

domingo, 16 de agosto de 2009

"Pedaços" disso que chamamos eu...



Nunca soube que parte de mim ficou no caminho,
por vezes o medo
me impedia de viajar ao passado
como uma porta sem chave,

Volto a minha infância e suspeito:
meus amigos colecionavam namoradas
eu colecionava poesia,
fui a minha adolescência...
também suspeitei,
meus amigos praticavam sexo,
eu fazia amor,

Por vezes até achei que tinha perdido
a mente para os amores que não em fora cedidos,
senti também que tinha perdido as mãos
para aqueles beijos que me eram dados sem amor,

Sem falar das minhas pernas
quase nunca as sentiam..,
iam sempre para lugares onde a afetividade não tinha vez,


Ah os meus olhos...
talvez sempre foram os únicos que confortavam,
sempre haviam lágrimas para me consolar,

Chego aos meus quinze anos,
e uma semana depois
descubro que perdi metade do meu coração
com a morte do meu pai,
e como ainda não conhecia a paixão
por que parte de mim era dele e a outra da minha mãe.

Volto mais uma vez aos dramas infantis
e descubro que perdi também o medo,
para os preconceitos que sofri,
porque parte de mim é coragem...
e outra também...


Celso Andrade.



sábado, 15 de agosto de 2009

"Silêncios" apaixonados


Que o teu silêncio
me faça chover
palavras de amor,
e que o teu grito
possa calar
toda incompreensão,
e no teu colo
eu consiga ouvir
as batidas do teu coração.
que a sua voz em mim
soe como um hino,
hino sem som...
porque quero viver
ao teu lado
sem que nos atrapalhem
as palavras
que damos nome
aos sentimentos
confusos,
porque metade de mim
é o que ouço e a outra metade é o que falas.


Celso Andrade.

Três "Nós", e um encontro.



Que o meu eu interior
menino,
se doe
como o meu eu
homem de fora,
e que os dois possam
se igualar
por ti,
e que o eu homem
goste de ti,
como o eu menino
o tem amado.


Que as nossas bocas
se grudem como
meus dedos,
e inseparáveis
naufraguemos
entre salivas
desse colar de lábios.


Que a distância
seja encurtada,
pelas nossas
lembranças
do que fomos,

E que a tua parte interior
também me seja doada,
porque metade de você sou eu
e a outra metade é minha.


E que a nossa canção
nunca se cale,
nem se perca...
porque metade de mim é melodia
e a outra metade(você),
são notas.



Celso Andrade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009


Sentado na varanda
lembrei
de quão foi bonito,
ter você
tão perto
tão minha,
por um momento me assustei
ao cantar de rouxinóis,
pensei
ter aprisionado
o tempo
quando estávamos
sóis,
errei,
unido ao meu pensamento,
sentado continuei...
ventou
foi embora
tua lembrança
sobrou o cheiro
trazido pelo vento
mergulhei fundo
em teu perfume,
voltaram
as boas lembranças
queria ficar mas,
choveu...
os pássaros pararam
o teu cheiro sumiu
minhas nostalgias se forem
todo molhado
levantei e fui trocar de roupa.


Celso Andrade.


quinta-feira, 13 de agosto de 2009


Que minha loucura por ti
escorra também em tuas veias por mim,
para florescer o teu vazio campo,
seco,
sem sombra de água
ou folhagem
nessa primavera
de almas sujas
sedentas,
vazias,
esguias de tanta sede,
sede camuflada,
encobertas de sujeira
sufocando o teu querer também camuflado
e que algum dia você consiga dizer eu te amo
não de boca pra fora,
porque a tua parte limpa da alma
me quer entregar.



Celso Andrade.


terça-feira, 11 de agosto de 2009



O meu corpo precisa do teu abraço,
e minha boca do teu beijo,
meu corpo precisa do teu calor e
do teu cheiro,
acordar manhãs e saber que você tá perto e
dizer sempre que precisa de mim,
do meu cheiro,
do meu calor
e a noite antes do sono me devorar em estilhaços de vidros ouvir: eu te amo!


Celso Andrade.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009



Talvez essa seja uma das maiores perdas da minha vida, não falo de sentimentos fúteis de pessoas com pessoas, falo de amor, apego mesmo, será uma separação dolorosa eu sofro a cada instante, ela apareceu em minha vida ainda garoto, mais de cinco anos juntos e agora eu pressinto que estamos nos separando, que ela irá de vez da minha vida, as coisa não foram como eu imaginei, os sonhos não concluídos... Uns realizados, outros frustrados, sei que parece infantil mais posso de dizer que me sinto vazio e só, não falo de companhia humana, falo de um membro que precisa ser retirado, como um braço ou uma perna, sinto que cada segundo ela vai partindo, não culpo ninguém, nem a vida, que nos prepara armadilhas e maravilhas.


É uma decisão que sei que serei obrigado a tomar, um adeus ao mundo musical que recebeu talvez por pena ou por disposição, não sei exatamente, sei que consigo lembrar apenas dos momentos bons, dos concertos e das aulas que participei e lecionei, dos grandes músicos que me inspiraram, tantas horas estudadas, juntos traçávamos nosso futuro, um grande ex-futuro musico, não quero parecer vítima nem fazer que tenha pena de mim, vim relatar minha separação da flauta, do que me alimentava dos tormentos da escola, dos amores que não tive dos sonhos não realizados, das viagens que fazia em casa tocando e ouvindo, sons agudos, graves, escalas, arpeggios, notas erradas, desafinadas, sons brilhantes, um dia melhor que o outro, era encantador até um dia, talvez isso que chamam de ansiedade me tenha desanimado, não sou frouxo nem covarde, apenas faço o meu papel: o de compreender o que a vida me pede a fazer.


A saúde, a insensatez das pessoas, a condição social, vilões de um romance triste, e talvez glorioso para uma união que foi maravilhosa enquanto se vivia intensamente, sinto-me como uma mãe que tem que abandonar seus filhos por algum motivo sério, não gosto da palavra separação, me lembra pena, necessidade, eu sei que nos amamos e só o tempo poderá curar todas as coisas.
Celso Andrade.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Minha mente afoita por versos
faz meus olhos sangrar em lágrimas
em minha mão esquizofrênica por palavras indefiníveis...

e no subjetivo mundo de significados me perco,
com meus pés inseguros
em entre linhas a tentar dar evasão a pensamentos
despenteados de lógica e coerência
eu me perco(no papel)
e me acho (dentro de teu mundo),
vazio de ti e cheio de mim.


à Jenifer Carmo


Celso Andrade.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Noites de sábado


Era bom , intenso e profundo o seu colo,
em um momento pensei em até pedir para ficar mais tempo, mais já era tarde,
o silêncio mais uma vez invadira aquele ambiente,
sedentos nos grudamos e exatamente dispersos esquecemos um do outro, só pensávamos na nossas expectativas , esquecemos de quase tudo...
e por um momento naufraguei dentro de ti, nós éramos apenas dois corpos, um bebendo a sede do outro corpo , não sei exatamente se o meu corpo era fonte de algo,
eu sei que pude ficar uma erternidade em tão poucas horas.
Celso Andrade.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Somos ou não somos importante?


Não sei extamente como é, mais talvez demore uma eternidade ou nem tanto tempo assim, para ouvir o que desejamos(precisamos), o que não queremos ouvir nos é dito com tanta frequência e frieza, que esquecemos que somos humanos e que possuímos afetos.

Temos tantos amigos, mas só é percebido a falta do mesmo, muito tempo depois de o ter perdido, e que não é preciso demonstrar vinte quatro horas do dia, isso todos nós sabemos, sabemos e não damos importância que tudo que é bem poderá virá mal .

Por esse motivo, depois de três meses e dez dias longe de tanta gente e de uma delas eu pude ouvir: Você faz falta! - era uma das pessoas mais próximas a mim, confesso que não contí lágrimas, demorei 19 anos 10 meses e 11 dias para ouvir, uma, das coisas que faz com que tenhamos coragem e força, para viver nesse século de tanta pobreza e falta de afetividade, e sempre é tempo de renovação e que há sempre mais uma lua nova a ser vista.


Celso Andrade.

segunda-feira, 20 de julho de 2009


Era um dia ensolarado quando nos vimos pela primeira vez, quem reparasse em nossa face diria que nossa sede era inevitavelmente visível, que só mais tarde pudemos compartilhar daquela sede, no primeiro momento teu beijo me pareceu estranho, talvez falta de costume, não sei. Sei apenas que hoje conheço cada milímetro da sua boca, cada centímetro da tua pele, e o gosto de tua saliva. Tão enredados estávamos que uma só palavra quebraria aquele monto só nosso, não sei se era alucinação mais ouvia nitidamente solos longos de violoncelo cheios de vibratos arrebatadores. Hoje sei que cada instante nosso dura uma eternidade, ainda que seja só na memória.


Celso Andrade.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

diário de uma (des)esperada




Ela tinha 22 anos, não só de idade ,de prisão(não uma prisão material)falo de ser impedido de realizar-se, quase de viver.
O desejo de sair da situação, que no início parecia a solução de seus supostos defeitos e problemas a tinha prendido no meio de um povo, de um costume bem diferente o qual escolheria após tantos anos de resignação, mas não é disso que eu quero falar, quero relatar que depois de tantas tentativas e pedidos a esse que chamam de Deus, se sentia cansada de tanta espera, de tantos pedidos quase nunca respondidos, talvez a porta que chamavam de certa não era a que ela escolheria com 14 anos se soubesse o doce da liberdade, mas aquela porta que entrou a tinha conduzido a um caminho quase sobrenatural, não era isso o que desejava, já não se reconhecia mais como humano,tinha que ser quase como uma super-mulher, capais de tudo, de esconder defeitos, e fingir que possuía desejos.
A vontade de sair por aquela porta que a conduzia esse lugar sem nome, mais tão familiar lhe deixava angustiada, tantas pessoas ao seu redor e se sentia mais só que uma pedra abandonada no meio do rio, seus pais não sabia das suas vontades nem de seus anseios (não falo de uma menina mimada, falo de uma adolescente intelectual, que desde bem novinha estudava piano, pintava telas, e um dia descobrira que podia escrever poemas).
Talvez empurrar a porta seria a solução de seus problemas, mas afinal qual era seus problemas? Isso se perguntava todas as manhãs ao acordar, - que tenho eu de diferente?-Sou pior que todos?-Não posso ser feliz e livre de tabus e regras impostas não sei por quem?Essas perguntas a martirizava, um dia dentro daquilo sem nome sabendo apenas que tinha entrado por uma porta estreita e infinita, descobrira que existia uma janela, e que essa janela apenas lhe dava a possibilidade de olhar por um período, que só mais tarde a enxergaria inútil! Às vezes pesou em se jogar janela abaixo, mas não enxergava o que tinha lá(via apenas escuridão).
Os anos passavam e o desejo de arrebentar aquela maldita porta aumentava, pensar em atravessar já era um perigo, talvez nem fosse tão perigoso assim, precisava coragem, pois sempre fora tão audaciosa e persistente nas suas escolhas, mais aquela,aquela decisão como falei, era a única que a martirizava, e assim quase impedia de viver.


Inconcientemente começou uma pequena mudança em sua mente, -não sei exatamente explicar mais é como se uma espécie de esperança, de mudança, uma possibilidade a tinha invadido depois de devorar mentalmente cada palavra de uns livros que andava lendo.Vivia agora inundada de pensamentos, talvez Caio F,ou Clarice lispector, não sabia exatamente o que era , sabia apenas que algo bom a havia inundado.Até a porta ela já conseguia ver, só lhe faltara coragem de tocá-la, de empurrar , de abrir e descobrir o outro lado o outro sabor, a nova vida que a invadiria até então a mesma à 22 anos.



Depois de tanta hesitação, Suzana não sabe como, apenas lembra que numa noite de feriado, já sem forças e tão cansada, se entregou..., aquele momento parecia o fim do mundo para ela, poderia fazer tudo na vida menos aquilo, uma vez empurrada a porta, o sem volta, talvez o nem tão sem volta assim. segundo os costumes do seu povo Suzana havia transgredido. Afinal de contas quem viu o que fizera Suzana? agora ela se sentia mais livre, como se um monte de correntes se tivessem partido, ganhara uma nova vida nem tão diferente assim, o medo da porta era o que a deixava confusa , mas só depois de esperimentar o desconhecido ela soube ver o mundo de outras perspectivas.


Pensando ter terminado o seu exílio, Suzana não sabia o que a esperava, sabia apenas que enfrentaria pais e irmãos opressivos, nunca aceitariam ela daquela forma, vestimenta diferente, novas amizades, enfim, vida nova, o que viria seria fácil ela conseguira dar conta, até então o preconceito, regras e tabus auto-impostos, tinham sido vencidos por ela, o importande é que houve uma abertura para o novo , desde que se tenha ao menos um raio de luz a entrar por janelas e portas, a grandes possibilidades de uma vida plena ou um grande início de felicidade.




Celso Andrade.

quinta-feira, 16 de julho de 2009


Nunca precisar do amor de alguém,
é amar demais a sorte!
Celso Andrade

terça-feira, 14 de julho de 2009

Dispersas vertigens...


Eu quis dar e receber sem urgência nem cobranças. Nada foi cedido, nem me permitiram soltar essas borboletas, tristes, escuras, presas e envelhecidas de tanta sede, sede de liberdade, de amor e de paz. Tudo que me foi cedido foi sujeira, lama, limo de poço e uma água suja que ás vezes penso em me alimentar, mas êxito sempre, seria uma audácia minha igualar-me a esses corpos de tantas faces,quem nem lembro os traços, nunca soube exatamente como os são,apenas sei que existem e são perigosos e era para eles que eu ia.

Sei também que toda essa espera do nada, essa demanda em manter presas as borboletas tem me deixado choroso, e a entrega é algo confuso e sempre precisei da queda e da dor para me sentir vivo - ao menos isso!

Afundado e subitamente tranquilo tenho vivido apenas o outono-secura, cascos a pisar, e galhas para se cortar, e nem sombra de orvalhos.


Nem a tua boca almejei encostar a minha, pois a minha sede é outra, nem te pedir eu ousaria, tenho estado fora de mim a tanto tempo que por a cabeça fora do casulo seria como me jogar cachoeira abaixo sem saber a profundidade, e sabendo que não teria alguém a minha espera lá em baixo de braços abertos, caso o meu corpo não se desmanche nessas rochas e se misture a essa imensidão de água suja que me é oferecido beber .


Eu queria gostar do pôr-do-sol que todos tanto comentam, a lua tem iluminado meus passos nessa longa caminhada de um destino desconhecido.


Acho que nem solos de trompetes mechem mais comigo, ligo o som e nada me comove, devo ter virado inverno, ao menos verei chuva e poderei consolar-me ouvindo inverno na voz de Adriana Calcanhotto.
Celso Andrade.

segunda-feira, 22 de junho de 2009


- Como anda você aí chapada Diamantina?

- Não sei exatamente dizer, mas, algo faz falta, algo não alguém pare que eu possa compartilhar essa chuva embaixo desses cobertores que também espera por alguém, preciso completar e encher esse vazio que não sei ao certo a profundidade, nem ousaria medir, pois cairia de vez e não conseguiria voltar. Às vezes acho que são as galinhagens, quanto mais mentirosamente nos usamos mais afundamos em algo que seria uma audácia minha dar nome, mas, talvez estejamos presos nessa areia movediça que, quanto mais fujo da minha afetividade e não me permito, mais estou preso e afundo porque algo faz falta, um colo, um abraço, um beijo, e todas essas pieguices de pessoas que se querem e se entregam ao pulsar do coração.

- Bem que eu queria te chamar de meu, mas, nunca ousaria atravessar essa parede que não sei exatamente o que significa, ou já estava entre nós o tempo todo e nem percebíamos, pois separa o meu vazio do seu, e toda vez que paro pra pensar como faz falta a ausência de amor, compartilhado entre duas pessoas que se entregam como as rochas aí da chapada sendo banhadas pelo mar, numa troca que nunca saberia explicar porque algo realmente faz falta.

- Mesmo que a voz da dor grite em silêncio: ainda tenho pequenas-esperanças e isso é a presença do que ainda não existe.

- e porque ainda chora ?

- ( as lágrimas que correm não para acalmar e umidificar o poço deixado pela ausência. ) thau !

domingo, 17 de maio de 2009

Fragmentos de dias dentro do poço


Quase na dormi essa noite uma, duas, três horas da madrugada, perdi a conta... era uma agonia que não passava, passavam sim... as horas, fui tomado de um desespero horrível, uma voragem que me consumia os neurônios, sem febre, sozinho no meu quarto, ventilador ligado, calor, travesseiros, e ela, ela não elas : dona Solidão, tristeza, e tantos sentimentos que desolavam-me, numa vertigem de me jogar cama a baixo, desprezado, ignorado como um mendigo desdentado numa calçada mais suja e mais violenta do Iraque, São Paulo...a nem pedir uma esmola ínfima, sôfrego como estava não poderia jamais pedir auxilio, quem me visse diria que tinha tanta coisa, mais tanta coisa pra falar que gritaria mudo, tentei tudo, tentei lê, comer, tentei pensar em algo até em alguém... na minha infância, ou algo nostálgico que pudesse tirar-me do que pudesse estar passando, chorei... foi o que conseguí, o sono abandonou-me naquele momento, sem amigos, amores e sem família também, como que num barco furado e a única maneira de escapar é... Se jogar em alto mar, sem saber nadar, levado por ondas e correntes, e lá estava eu, inerte!em movimentos confusos e complexos, eu não sei o que aconteceu, sem amparo e sem consolo continuávamos eu e ela (a Solidão) de braços dados tão apertados que parecíamos amante de longas décadas... Pensei na Europa que um dia pudesse me acolher, longe de tudo e de todos, estaria seguro, não mais atrapalharia a paz nem o sossego de alguém com histórias como essa, que nunca foram nem serão contadas apenas vivida, por quem fala e escreve sobre a vida, mas não pode vive - la.

Celso Andrade

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Volúpia Oral

Quantas bocas beijadas...


Deixadas sôfregas, abertas, fechadas, cruzadas entre saliva doce, azeda e amarga.


Ânsias deixadas, palavras caladas desse nosso roçar de lábios(pequenos, carnudos, vermelhos), mudos sedentos de água de apertos e gemidos inexprimíveis de minha sede de bocas a ainda a serem beijadas!


Celso Andrade

Porto desconhecido.


Tenho preparado-me e esperado por você há muito tempo,você que é sem nome, nem sei como é, sei apenas que espero te espero na esquina, no bar, na praia, em casa, no ônibus, nunca encontrei... Talvez eu desconfie como possa ser você, tentei te identificar pelo cheiro, pelo olhar,não! Não desconfio porque disse que não sei quem, nem como você é, mas hesito em tentar algo que possa atrapalhar a minha espera, que nem você sabe que vira assim para mim... Para nós, ou talvez para o mundo, pra me aquecer nessas noites de chuva sem cobertores, e nenhum sinal de fogueira acesa, e numa volúpia carnal nos abraçaríamos demasiadamente aflitos, afoitos, sem pressa, sem sono, sem medo ou vontade de partir, tão engenhosamente respiraríamos o mesmo ar, beberíamos da mesma saliva, essa saliva que não sei se trará de Budapeste, Bruxelas, ou talvez nem traga, e então estarei tão envolvido por você que seremos um, parados nos olhando fixo para o nada, para você, pra mim.Sem uma palavra a ser dita, nada que pudesse atrapalhar aquele encontro esperado por mim ou por você que continuo sem saber como pode ser.Espero-te de braços abertos como quem segura numa árvore milenar, meus braços não seriam o suficientemente grande pra te abraçar depois de noites afora sem sono, e manhãs e dias de desespero, aflições que às vezes pensei em me jogar no mar para ser levado pelas ondas e ser acariciado pelas pedras que rolariam sobre minhas costas turva da espera de você, ou talvez de mim.

Celso Andrade.

quinta-feira, 14 de maio de 2009


Tentei estar dentro de você todos esses dias, no que via e que sentia,
tentei te querer assim sem dó nem medo, nem susto nem rancor,
sem hesitação tentei ,te querer,quem sabe um reconhecimento, uma correspondência de mim em ti, ao menos ousei.
Nesses dias de dores intermináveis e noites a só.
Te busquei, te liguei, nunca te pedir, apenas aceitar-te assim, como quem quer alguém, -eu queria você! Não temos culpa, tentei.
Tentamos.

Celso Andrade

Dias no poço


Tudo que tenho e posso te dar é esse silêncio que me sobrou, de tudo que passei desde que te conheci, e esse nó na garganta que que me quer enforcar, o meu peito palpita a ponto de infartar, sobre essas folhas que voam sobre minha cabeça , não sei do que preciso, está ficando muito confuso tudo isso, e essa louca vontade de acabar com o que nem chegou a acontecer, não me precipito, estou piorando as coisas, sei que vai passar, tenho fé, isso que chamamos de pequenas-esperanças, acho que estou me acalmando..., Não, apenas vomitando tudo que você depositou em mim desde o dia que te conheci, o teu olhar de desejo desgarrado, a tua boca faminta desejando meus lábios que não podem mais ser tocados pelos teus porque perdi o contato, as cores, sobrou apenas o cheiro, esse que quase me afogou nesse mar sem ondas, apenas cheio de peixes famintos querendo devorar de vez isso que chamamos de pequenas esperanças... Mas continuo aqui a tua espera, sentado ao lado desse telefone empoeirado pelo tempo, nunca tocou, já não consigo reconhecer tua voz de solos de guitarra desafinada tocando jazz a antiga.Está ficando escuro tenho que dormir, pois a noite tem me consolado nesses dias de incansáveis procuras, portas abertas sem êxito e incansáveis desencontros: espero-te apenas com o teu cheiro que não sei até quando durará, sei que espero...

Celso Andrade

quarta-feira, 13 de maio de 2009

poço


Não me procure... , me deixe nesse fundo de poço que não sei se entrei ou me empurraram, não importa, que importa é que estou jogado aqui nessa mesmice de sempre, não te toco, não me toque não te quero, nunca quis, apenas busquei um corpo capaz de acolher esse coração que não sei porque ainda sobrevive a tantas quedas, tantos tormentos, tanta coisa louca e essa vontade de gritar que me calo. Você não pode me ouvir, o que de mim saia eram apenas acordes desse coração que me arruína, me jogou nesse poço que não sei se tem fim ou estou apenas atolado, preso por esse órgão que insiste em desobedecer minhas ordens.Não dou ordens nenhuma ,ele faz apenas o que quer, sofro com isso, apenas tenho alívio quando jogado num local como esse, sinto raiva, raiva do tempo que não passa, raiva de você que apareceu no meu caminho como chuva, deixou gente atolada, desabrigada e dessas poças de lama que me afundo mais e mais.Tenho medo, tenho sono, nunca tive alguém ao meu lado, preciso acabar essa carta que nunca será enviada, esse tinteiro que insiste em depositar tintas nesse papel que chamo de coração, quanta insistência, quanta perseverança das pessoas, sempre acabam mal, acho que estou descobrindo o segredo, é isso: preciso voltar, o tinteiro deposita apenas a ultima gota nisso que chamo de papel-coração,não serva para muita coisa, pelo menos pra desabafa, acho que consegui, amanhã continuo.

Celso Andrade.