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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

E eu já não conheço os caminhos

Tenho uma alma meio dama da noite, que brilha no silêncio, que faz festa com o neon, que se deita com o mar como deita o corpo sobre a rede na casa da praia, a mais esquecida, mais tranquila, lá não se atende telefone, nem fica sabendo das notícia do jornal, não há estréias, só renascimento, as vezes a dama da noite se transforma em uma louca perplexa pela luz do sol e sai a sorrir pela rua como se não existisse ninguém.


Celso Andrade

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Quase pulei,
Mas em hesitar descobri que além de amor
Eu tenho fé.
E na dúvida
Sei que não sou forte
Para decidir nada
sobre a vida.

Celso Andrade

segunda-feira, 10 de setembro de 2012


Falhos versos, entre empoeirados livros a vida termina numa página rasgada, numa página esquecida.
Os donos o renovam ao comprá-lo, mas sua tinta a ferro gravadas em toda sua extensão, e de tudo transborda, de pular poças d'água, dos empréstimos a desconhecido. Quem sabe curiosamente que te comparo ainda que hermeticamente me safo, me engano e assim permaneço a um ponto que não chega, que já nem existe. E assim estou mudando sempre de conceito, significo vários pra todos, sou único, se parto ou fico gravado como letras em livros, como uma alma sem esperança, de qualquer forma alguém vive.


Celso Andrade

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Prayers for me



E incontáveis vezes eu tentei te escrever como era difícil o frio da Europa, e por sorte reencontro seu novo  endereço, nove meses e você nem imagina como foi me perder do Brasil, a princípio me identifiquei com as ruas, sim, são iluminadas por uma espécie de compaixão divina, porque como você sabe isso aqui já foi palco de tantas guerras, mas você não imagina a falta que escrever pra algum lugar do mundo que fosse distante me fizesse retroceder, quando fui duramente afrontado pelo espírito da derrota, e meus olhos que se perdiam entre os carros com impulso e vontade de pular na frente de um deles para então não sobrar  endereço nem passado. Juro que tentei te ligar para então você me dizer alguma coisa que eu pudesse acreditar outra vez, para contar alguma coisa que me fizesse ter fé em alguma coisa além de mim, e do gosto podre de desilusão em tudo. Eu queria que você soubesse da vontade de gritar e abrir os braços para então chorar e mandar embora a raiva e o repúdio preso na garganta, eu queria que você soubesse que nenhuma carta chegou na casa da minha mãe porque, me ausentei do brasil, da minha rua e casa. Se ela me  imaginasse andando por parques e praças para chorar a dor e saudade de alguma coisa que eu nem sabia o nome mas tinha corpo e alma de solidão. Saiba que te escrevo só para saber que ainda estamos salvos do mundo.

Te mando bons ventos da Polônia


Celso Andrade

segunda-feira, 16 de julho de 2012

E na estrada todos se perdem, aos que não mais serão lembrados. amigos de outrora, parceiros inesquecíveis não existirão mais além da imaginação do momento e da roda dos que nos acompanharam em carona ou surgiram pelo caminho. Já dizia meu "velho" esquecido no seu leito: Pega tua musica e vive, num canto ou a rodar o mundo como nômade, porque quando nada mais sobrar, nem amigos pra contar estórias você terá,  apenas a estrada e nenhum passado, só futuro e uma música para servir de consolo. Então assim estarás livre do ócio e seu astuto dom de desfazer sonhos.


Celso Andrade

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Um dia prometi deixar as portas abertas
E ficaram..

Só não sei te mandar embora.


Celso Andrade

terça-feira, 26 de junho de 2012



Ah! Se me deixassem flores,
como deixam pedras na porta de casa.

Na minha rua não tem estação definida,
então me invento na madrugada,

Foi o que deixaram pra mim.

E do silêncio,
Renasço porque morro todo dia.


Celso Andrade

terça-feira, 12 de junho de 2012


No escuro vejo,
te vejo
Nos enxergo
num futuro-presente
ausência,
escorre devagar para não chegar logo o
presente-futuro
sem
ninguém.
Nós, eu e eu.


Celso Andrade


domingo, 10 de junho de 2012

Ao que é bom e doce, a vida, ao amor!


Acordar ouvindo tua respiração,
assim como respira o mar pelas ondas,
sussurros, vai e vem estamos grudados em pele.

Breve, pulsa no meu peito o seu coração quieto da noite,
então espio pra ver se já é manhã, mas você ainda dorme.

E eu volto a dormir pensando como é não ter saudade.

Nada que perturbe a quietude, ondas você ainda respira
e me afogo também em outro sono, quem sabe nos encontramos
no sonho do outro um futuro que não se pode findar.

E antes que nos acorde o sol, deitados nos abraçamos com frio.


Celso Andrade

segunda-feira, 4 de junho de 2012