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segunda-feira, 15 de março de 2010

lV Motivo do poço



Tento me livrar sempre do poço, as vezes consigo, por vezes permaneço inerte a qualquer possibilidade de resgate, sei que preciso charfundar na lama da tristeza e da angústia, como qualquer falta eu sinto algo perder-se em meio ao caos do mundo, a esperança segurando minha mão, e o que faço é esperar qualquer possibilidade de retorno, se houver voltarei com toda carga afetiva que guardo e me escondo no poço onde posso senti-la, onde ninguém sabe, nem me vê, é lá que sei o quanto somos frágeis a ponto de acordarmos e olhar o horizonte com um certo encantamento, e perceber no rosto e nas palavras das pessoas o nada, a solidão tão nítida disfarçada com uns goles d'água pela manhã, um beijo a tarde e um sorriso na hora de deitar. Eu sei que permaneço no habitual mundo que não escolhi, mas que vivo e tento encontrar o meio mais singelo de chegar ao contentamento, por mais que difícil seja, tento e saio do poço , as vezes fraco, raivoso, angustiado ou cheio de esperança e força, sei que a vida continua, e não desistimos, arduamente permaneço em mim...


Celso Andrade

Um comentário:

Robson Rogers disse...

Celso... Talvez esse texto acompanhado de uma reflexão minha; nos dê alguma base para entendermos um pouco nossos motivos de ainda estamos no poço.

http://esqueletodecartolina.blogspot.com/2010/03/geracao-inacabada.html

Abraçooo (desculpa o sumiço)