Ando sempre com pressa, não paro para olhar a face suada das pessoas que passam por mim na rua, vez ou outra me esbarro em algum objeto, mais não perco o ritmo, ando como se não existisse ninguém por perto, ando e ninguém sabe que um dia a felicidade entrou a minha porta, mais ninguém percebe meus contornos cinzas e empuerados, talvez dessa caminhada que dou todos os dias. Por vezes solto um oi a alguém que já não faço questão de saber quem é, mais não paro, seria audácia demais falar de mim, o que faço, se estou ou não trabalhando, me fazer em pedaços e depois explicar parte por parte de mim, ia demorar. Preciso me apressar se não o banco fechará, e depois chegar com aquela cara de por-favor-não-puxe-assunto-comigo-nem-olhe-a-minha-roupa, porque ainda preciso de energia para enfrentar o resto do dia e não-sei-se-sobrevivo-mais-essa-noite.
(Celso Andrade)
sábado, 31 de julho de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Borboletas no estômago
Todos os caminhos me levam ao amor, mais é preciso aquela corriqueira briga com o meu ser exterior. Um susto, um empurrão talvez, alguma forma de me sentir completo e ao mesmo tempo em liberdade. Há espaço, tempo se precisar, há também uma porção de pudor que carrego, e nada mais que uma invisível nostalgia, (invisível porque ninguém sabe), nem imagina que faço dela uma ponte para o presságio.
Tudo
Isso
me
faz
Vivo
Outra vez.
(Celso Andrade)
Tudo
Isso
me
faz
Vivo
Outra vez.
(Celso Andrade)
quarta-feira, 28 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Para os sabores da vivência
Sempre há um re-início, mesmo que não se queira prosseguir, a vida segue em frente. Quão é vão rejeitar o passado, quão é vão destruir o que foi belo e bom, porque se esconder onde já não se pode viver se um dia nos mostramos inteiros, se um dia demos tudo que pudemos mesmo que fantasiosamente éramos nós esse mesmo que pode ou não mudar. Como é tola a ideia do fingimento, de tentar esquecer para então reunir forças para se viver melhor num futuro incerto -quem sabe pior que o passado rejeitado, pensamentos inúteis que ainda assim cultivamos, pela doce fantasia dos filmes, pelo amanhã inesperado, talvez doce, entretanto, sempre incerto. Desfrutarei de tudo que já vivi, se puder repetirei com mais intensidade, darei a mais alta risada, beijarei com menos pudor, olharei sem receito os que encontrar pelo caminho, porque ter medo é como andar por uma linha invisível.
(Celso Andrade)
(Celso Andrade)
sábado, 24 de julho de 2010
Oculta oração
Que meus amigos entendam quando não posso estar ao lado, e precisar sempre ser eu, mesmo que não queira sendo alegre quando estiver bem e angustiado quando o luto for necessário.
Que o meu silêncio transpasse a barreira dentro de casa e todos possam compreender que preciso mesmo que frequentemente ou remotas vezes do meu canto.
Que o meu amor entenda que as partidas não são para sempre e que se pode viver mesmo estando só.
Não que eu seja um tipo egoísta demais, é que tenho sempre a impressão de não ser eu quando preciso, de não estar cumprindo o meu papel com a minha afetividade.
Que a minha família não seja demasiada tola se aos quarenta eu ainda não tiver filhos, nem uma pessoa ao meu lado, e nem pergunte sobre minha sexualidade, porque o nunca fiz com outrem.
Que não fiquem alegres por estar em uma profissão promissora, e ocultamente infeliz.
Que não riem de mim por cantar pela janela aos domingos imitando os pássaros, nem me chamem de louco quando madrugar escrevendo um conto que precisa ser finalizado.
E mesmo que nada disso acontecer ou algumas delas derem certo, faz-me louco perante os que se julgam sábios para só então entender seus devaneios.
(Celso Andrade)
Que o meu silêncio transpasse a barreira dentro de casa e todos possam compreender que preciso mesmo que frequentemente ou remotas vezes do meu canto.
Que o meu amor entenda que as partidas não são para sempre e que se pode viver mesmo estando só.
Não que eu seja um tipo egoísta demais, é que tenho sempre a impressão de não ser eu quando preciso, de não estar cumprindo o meu papel com a minha afetividade.
Que a minha família não seja demasiada tola se aos quarenta eu ainda não tiver filhos, nem uma pessoa ao meu lado, e nem pergunte sobre minha sexualidade, porque o nunca fiz com outrem.
Que não fiquem alegres por estar em uma profissão promissora, e ocultamente infeliz.
Que não riem de mim por cantar pela janela aos domingos imitando os pássaros, nem me chamem de louco quando madrugar escrevendo um conto que precisa ser finalizado.
E mesmo que nada disso acontecer ou algumas delas derem certo, faz-me louco perante os que se julgam sábios para só então entender seus devaneios.
(Celso Andrade)
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Dizer que se morresse hoje e não se arrepende de nada do que fez em vida é mentir para si mesmo. Algumas escolhas, erros e acertos numa escala desmedida, não temos culpa, só tínhamos alguns avisos, alguma chama acesa nos chamando, quem sabe alguma experiência alheia errante ou nada disso. Tudo isso gerou o que sou hoje, assim tão esperançoso, ou talvez desiludido.Tempo é uma carga pesada se nos firmamos em decisões tomada no passado, o que podíamos ter feito fizemos, talvez a escolha que achávamos que seria a correta, pudesse ter nos levado a um poço imensurável profundo.
(Celso Andrade)
(Celso Andrade)
terça-feira, 20 de julho de 2010
Não se ter mais a melodia que dentro se toca
Quem imaginou-me assim
Sempre a perambular pelos quartos e portas de mim
Não paro em terra alguma
Nem descanso mais em muros pelas ruas que já não posso.
Um dia eras só entrega, hoje só partida
É tu coração que sempre varres os quartos que não usa.
sexta-feira, 16 de julho de 2010
Sobre emergir
Eu não tinha nada mais resolvi dar o salto antes que perdesse completamente os movimentos, antes que você pudesse partir -porque eu já conhecia essa mesma situação e não queria repetir a falha, então arrisquei a mim mesmo, eu só tinha um fio de esperança e é sobre ela que me mantenho vivo, é com ela que te descrevia nos meus versos, mais você não penetrou no mais fundo, você viveu a superfície e me jogou no esgoto do meu passado, a sorte é que já conheço o caminho de outrora e volto mais limpo do que posso.
(Celso Andrade)
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
O dia hoje pareceu sorrir pra mim. Não que as coisas pareçam fáceis e a vida seja boa comigo. Ao contrário do que possa parecer os dias precisam ser regrados de bom-humor. É preciso uma dose esperança em meio a tudo de ruim que nos é mostrado, contado e vivenciado no cotidiano. Não se auto-mutilar ao passado doloroso, nem se render a fantástica maquina humana chamada : Mente.
(Celso Andrade)
(Celso Andrade)
sábado, 10 de julho de 2010

Há um espaço no coração
o qual não sei o tamanho
entre o amor e o desamor
sobra apenas uma fresta
um ligar e desligar
onde cabe tudo...
inicio, meio e fim que
um relacionamento
pode oferecer.
Vivo nesse meio termo
onde restou-me a ausência
e o silêncio abrasador
Beiro o absurdo do convívio
entre a lembrança
e o vazio no coração
soprando-lhe pó de esperança.
Celso Andrade
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Não era de plástico seu ser, mais já não se importava tanto assim com a "Falta" que um dia lhe bateria a porta e pediria para entrar fantasiada de meiguices, sentimentalismo mesmo. Nem as partidas eram tão duras assim, para quem sobreviveu dezenas de namoros fracassados, noivados esquecidos e casamentos adiados. Era uma moça forte diziam, mais ainda assim é pouco o que ainda lhe resta nessa vida, mais não desiste nunca, só carrega o peso de quem tem esperança. E isso dói, porque esperança é que nem mendigo -cada dia uma vida diferente, uma nova estória. Diferente do que pensavam, acordava "outra" todos os dias, era a noite a morte do que não podia mais carregar.
(Celso Andrade)
quarta-feira, 7 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
Sobre aviso
Venha sem medo
Me cheire, me beije
Me ame enquanto pareço louco
Só não me leve de mim
Porque meu amor esta morto faz tempo.
(Celso Andrade)
segunda-feira, 5 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
Para a passagem de.

Hoje durmo com a minha dor, Apesar das dores serem sempre ocasionadas por alguém, ninguém sabe dela porque é só minha. Também não é diferente das outras é só mais uma que me abraçará ao deitar. Mas luto para esquecer o cheiro do outro, o beijo do outro. E espero cada dia me desfazer desses-pequenos-cadáveres, que ou assumimos o luto porque ele existe e aprendemos a ultrapassar barreiras, ou deixamos ser assombrados pelos cadáveres que não tem hora, nem tempo de partir. Mas não deixemos que se vá com o nosso sonho e que na maturidade possamos ver tudo com bom-humor, e rir com mais lucidez.
(Celso Andrade)
sexta-feira, 2 de julho de 2010
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