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sábado, 12 de junho de 2010



















Partirei,
Não sei quando.
Só sei que vou.
Carregarei apenas um guarda chuva,
E um caderno em branco.

Terei o olhar de quem nunca esteve aqui,
Terei a alma de um dia que foi somente minha.
Partirei sem saudades...

Colocarei na mala amor, paixão, tristeza e solidão,
E a despacharei no rio mais fundo de mim,
Fui forte, e não pestanejei perante o medo.

Dobro como roupa as canções que você fez para mim
No mais silencioso espaço da mala...
Atiro-a para longe,
E assim...
Parto.


(Celso Andrade e Jenifer Carmo)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Versos sentidos














Menina sem jeito do pleito da avareza
apaixona-se pela beleza da roseira que lhe rouba a tristeza
É sempre a mesma feiúra que lhe rouba a razão
do menino a balançar-lhe o corpo que não passa de ilusão
mas o teu orgulho mata, ata e ataca de esplendor,
assassina o menino que acolhe teu corpo sem dor
É impronunciável o ato afoito do coito no mato
dei-me a chorar pela fúria do prazer do sol que me queimava
esquecera de me aquecer em vez de partir me adentrava
E quem dera que sempre se entregasse em beijos
 no pleito de solidão, como seda em versos calados
dos mesmo lábios que concede ao menino da roseira
que matas no mato em frente a mim,
dizeis aos que te amarem no pleito da feiúra
a deslumbrar-se em pequenas bravuras.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Meu disperso monólogo em um diálogo



- Você não quis, você não se permitiu, deixou que o medo falasse pela sua própria consciência.

- Não mais podemos, a vida não é um conto que se pode mudar o trajeto final.

- Avida é aqui e agora, é o seco e rude confrontando-se com o belo.

- Respeito o mistério dos seu sentimentos, mas tenho em jogo não só sentimentos mais minha vida doada.

- Eu sabia que era real, só não sabia a profundidade de tudo isso, você confundiu meu silêncio com ausência.

- E se não tivéssemos um ao outro, como seria? porque agora esse estranhamento?

- Você desconhece o espaço que ocupa entre o afeto que nos envolve, desconhece o que é real e afetivo.

- Tenho um amor exilado numa vagabunda literatura sem lirismo, mais um trivial ato de coragem pode salvar-me.

- Levamos tanto tempo para nos compreender, algo em mim e em ti não desistiu , pelo contrário: Foi forte, onde andamos carregamos o peso do gostar sem esperar retorno, sem cobrar mais do que podemos oferecer um ao outro.


(Celso Andrade)

quarta-feira, 9 de junho de 2010



Sábado é um dia dia florido para muitos,
mais hoje preciso do canto,
do meu aconchegante lugar de reflexão,
o telefone não para de tocar
e então cedo às vozes alegres e festivas
chamando-me para mais um dia inventado
eu sei que todo mundo diz que preciso ter uma vida social,
que não posso me afastar das pessoas,
não é nada disso que estou querendo,
a pouco tempo da janela de casa
vejo a rua ser tomada por gentes de todos os cantos
vejo o quanto é sofrido não estar mentalmente preparado
para a verdade-fútil-de-certas-festas-sem-noção.
Preparo-me a rigor e antes de trancar a porta
coloco no bolso caras e bocas, frasezinhas ensaiadas
nãosoucalado, estoumedivertindotanto, comoémesmoseunome?

Desço o elevador treinando simpatia e recepção.

(Celso Andrade)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Oportunidades. Cuidado a quem oferece-as.



Chegou bem de mansinho, sentou ao me lado disse meia dúzia de palavras depois calou-se, sorri de canto -como quem não quer espantar um passarinho, pensei nas oportunidades oferecidas nos caminhos propostos mas nenhum deles foram realizados, pelo contrário enroscaram-se na sua própria gambiarra, deixei que o silêncio resolvesse aquele-mudo-encontro no qual sempre estivemos preso, aquela meia dúzia de palavras trocadas aquele copo de cerveja quente ao lado, carregava um olhar de quem não tem mais o que perder tinha a expressão de alguém que não espera nenhuma saída entre caminhos esgotados, num movimento brusco de quem parte e não olha para trás, dei adeus dentro de mim, parti na mesma jornada que sempre estive sozinho.


(Celso Andrade)

Para a desordem de uma mente apaixonada


O corpo e o sorriso violentamente numa melodia incessante sem perder a loucura, manteve lentamente devaneios pelas ruas sem nenhuma esperança, numa escalada ao sucesso entre mãos que arrebentam, pelos pés que andam sobre a sanidade do atroz desejo de compartilhamento, onde esperava-se sossego houve guerra houve perturbações e insônia numa cadência de desbravamentos e ardores pelo mundo decadente sem compaixão e falta de solidariedade que é a paixão, sentindo bruscamente cada movimento tornar-se contra seu mundo, cada palavra cuspida na face como murros na alma, cada porta fechada entre corredores escuros dado a mão a lucidez do breu que tornava-se a vida de um homem meramente apaixonado, pela doçura do sentir do servir a desordem da honra ao desmoralismo afetivo.

Aos que tentaram, mais passarão o dia 12 ouvindo alguma música consoladora...


(Celso Andrade)

domingo, 6 de junho de 2010

Para alguém além de mim



E então economizo gestos bruscos que possa o afastar, mas não escondo-me, nem uso maquiagem nos sentimentos aflorado, tenho cuidado ao pensar em você, tenho cuidado ao olhar sua fotografia, perco a naturalidade ouvindo sua voz dizer que o tédio e as horas demoram a passar, emudeço ente qualquer pensamento, imagino sua mão segurando o telefone como vidro-fino-para-não-quebrar-aquele-momento,
seguro de cá também um livro que fala sobre o desejo atrás de toda uma vida formada de pensamentos e imaginações que nunca aconteceram senão na mente do personagem, mesclado pela voz de Nana Caymmi ao fundo que dizia: Onde você estiver, não se esqueça de mim.
- Não, nunca... ( sua voz pesada de trovão recém acordado pronunciara)
- Perguntei: Não o que?
E a voz que me embalava do outro lado da linha misturava-se as vozes de Gal e Caetano no rádio, dizendo que sua Estupidez não lhe deixa ver, que eu te amo.
Num movimento brusco que é a palavra thau, nos despedimos oferecendo beijo.


(Celso Andrade)

sábado, 5 de junho de 2010

Desatino matinal



Toda manhã desperto outro "eu"
outro "pessoa" entra em cena sempre que acordo
viro um estranho nas primeiras horas do dia
não sei se tenho mulher, filhos, mãe ou amigos
reestabeleço meus laços, gostos e preferência
Sonhar consome bastante minha dose baixa de humanidade
a ponto de perder o equilíbrio afetivo.


(Celso Andrade)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Onde se vai com tanta pressa?


Por vezes estaremos sendo atropelados pelo tempo
dias passam sobre nós numa velocidade esmagadora
e estaremos sempre afoitos ante a calmaria e mornidão do cotidiano.

Na maturidade que consegui eu consiga reunir
grandes amores, amigos e pessoas que de certa maneira
me transmitiram adrenalina para viver mais e melhor cada hora.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Sobre laços

Saiba que amizades deixadas para trás,
não se pode voltar com o fulgor de antigamente

Desapareceram junto ao tempo que se foi

Entenda que
determinadas  Saudades não precisam ser sentida

Alguns amigos são alegres e vorazes
outros tristes e intrigantes

Somem num cortejo dilacerado
pela memória que as deletaram
por mera sobrevivência.

Tenho o lado da alma voltada para amizades
apedrejado pelo egocentrismo.

Possuo uma parte da alma esquartejada
por desentendimentos e incomunicabilidade.

Toda via saiba que os dias que virão
você conhecerá pessoas melhores e piores
do que as que se foram .


(Celso Andrade)

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Viagem pelo inconsciente

Onde será que isso começa...

Pergunteis entre os filhos do mundo
os filhos daqueles
que foram subjugados antes de nascer
os filhos da pobreza emergente

Onde será que isso chegará?

Procurais pelas rodas de ciranda
rodais pelas ruas em festa
passeia pelo espelho
e observa o ritmo do ego
estragando o mundo

Arrumeis malas e faleis a língua dos homens
tirais da cova os amigos verdadeiros
abraças o tempo que corre
contra tudo e todos
numa velocidade racional
imensurável.
  
Procurais pelo desejo inflamável
teu corpo que cede ao pecado
e descobres quantos e quantos
foram deixados para trás em busca
de aventuras suicida pelos corações
alheio.

Onde será que isso terminará?


(Celso Andrade)

terça-feira, 1 de junho de 2010

A canção da sinceridade


Passeio pelos corpos que arrebentam
pelos rostos que não mais vereis
passo por casas fechadas
tudo fechado
contemplo fachadas
arranco portões, derrubo muros
arranco vertigem, planto sonhos...
Por mais difícil que se consiga
sinto liberdade

reformo meu ser
preparo-me a ti
improvisando uma canção de felicidade
e contemplo um mundo
em desespero existencial

cantores algazarram
esse momento incessante
pelas vozes caladas
sonhos cerrados, até quando...

esperemos sentido e sanidade
contemplamos a loucura dos dias
e horas deixadas para trás,
tudo muda
tudo transforma-se em uma sentença divina

fortificamos amor e matemos alforrias
descubramos com pequenos gestos vagos
entres os corpos que se perdem
a contemplação da eterna música
que toca numa cadência incessante.


(Celso Andrade)

sábado, 29 de maio de 2010

Hoje cansei de mim














 Já vaguei por toda a casa,
sai na rua e nada mudou
Deito na cama - o sono me rejeita
Logo sou absorvido pelo tédio
olho o telefone para ver se há algum problema
(não há, ninguém se lembrou de mim hoje)
então percebo o vazio deixado em mim
o silêncio da cidade entrando porta a dentro
o sol também vai indo,
deixando-me à beira da noite
a dormir abraçado com a solidão


(Celso Andrade)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fragmentos de uma noite





















Passeia pela casa
anda pelo breu
invade o quarto
senta na cama
me chama para a luta
tira as minhas forças
dissolve-me em lembranças.

Atiro-me no escuro
a procurar por passos
encontrei sombras
amontoadas pelo canto.

vago enquanto me tiras o sono
então choro de desespero
grito para dentro e
pergunto afoito:

De onde vens em meio ao breu
dar-me as mãos na escuridão
da noite?

Ouço panelas tintilar
camas ranger,
lá fora árvores balançam

Escuto num sussurro ventoso

Insônia..!

a querida Silvia, como queira -Sil.


(Celso Andrade)

Encontros

 














Levantar na ponta do pé que é pra não te acordar
escutando os susurros na cama me chamarem

espio pela sombra do quarto seus contornos ao deitar

aqui só sombra, lá fora vambora que é pra te esquentar

então me curvo lentamente sobre tua orelha e te beijo o pescoço

lentamente passeio pela casa quieta e espio o movimento
do vento brincar de cocegas o lençol balançar.

Pisas o chão frio da manhã onde estamos unidos pela insensatez
na mesma cumplicidade do anoitecer
onde senti teus lábios me tocarem pela primeira vez.


(Celso Andrade)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quantas vezes cairemos na mesma fossa?



Não somos obrigados a aceitas certas verdades
imaginar pode ser uma forma de fugi-las
algumas bocas estarão preparadas para nos sentenciar
alguma atitude que nos condene poderá ser exposta
na nossa face sem hora marcada para acontecer e então
ficaremos perplexo ante a força e o movimento interior
que nos atingirá
pois preservamos a integridade moral das pessoas
o inesperado as vezes fere , machuca
a boca é uma arma de gatilho preparado sem escolher a vítima
e um dia todos cairemos na sua cilada
se tiver maturidade suficiente para entende-las
darei risada da vida e suas brincadeiras sádicas.


(Celso Andrade)

Do sentir













Quase que passa desapercebido esse meu estado de letargia
por pouco não me perco dentro de mim mesmo
não pronuncio nenhuma palavra porque a podem ganhar outro significado
palavras falam mais do que si próprias
então ofereço minha expressão serena e séria
as palavras calam-se, então me calo e observo a lagarta virar borboleta.


(Celso Andrade)

Os meninos


Os meninos da rua
boquiabertos
observando
a chuva cair
gota a gota
sentindo
a força do céu
que em pranto
de alegria
derramara-se sobre eles
numa epifania
desmedida
de inverno
no sertão.

(Celso Andrade)

terça-feira, 25 de maio de 2010













Moro entre o fio a ilusão
de que algo acontecerá
e o sonho não realizado
equilibrado entre
a esperança da superação
e a conquista pessoal.


(Celso Andrade)


Elas

Senti um aperto no peito ao vê-la novamente
já não era mais a menina sonhadora de sempre
que um dia resolveu tornar-se cúmplice de uma amizade
era uma mulher madura carregando a doçura
e o peso do mundo na mesma medida que
seriedade, tristeza e vontade de viver.

O amor? Era mais pulsante, cheia de vida.

Para as mulheres da minha vida...


(Celso Andrade)



segunda-feira, 24 de maio de 2010

Um olhar sobre o mundo


Não há como fugir
não somos atraídos
nem convidados a pestanejar
todavia ser feliz com hora marcada
me consome demais.

Então fico atento a qualquer sinal
onde me encontre
onde possa investir e me sentir seguro
que o outro me queira pelo que sou
não pelo que represento.

Não ser consumido pelo mundo
virou tarefa diária
imaginar o futuro é fardo pesado
para aqueles que não
se ajustam ao senso comum.

Então continuo num mundo
onde estão a cumplicidade
pessoal e afetiva
sobre o ínfimo que consegui conquistar
sem hora marcada para senti-lá
e observar com certo encantamento
a felicidade teria que
ser sempre clandestina
como dizia Clarice.

(Celso Andrade)


sexta-feira, 21 de maio de 2010














Sem prever algo que pudesse mexer com a nossa
tranquilidade aparente
atravessamos a sinaleira deparando-se um ao outro
e então os olhares cruzados emudecidos
relembrado o passado,
a falta de comunicação ainda presentes
nenhum acordo proposto
o corpo de antes não mais se comunicava
com o de hoje
nenhum resquício de paixão
nenhuma demonstração de piedade
ou carinho antes comum entre nós
desde então fomos seduzidos pelo horror
das relações humanas,
o qual estaríamos para sempre preso a essa fatalidade
na qual jogaríamos pessoas sempre
que pressentido o perigo, como forma
de não retornar aquele estágio anterior
o nosso
marcado pela incomunicabilidade
caprichada pelo ego.

Pela espera do último gesto,
a conversa foi iniciada algumas vezes
não houve acordo, diálogo
ou acerto de contas, mas
algumas palavras mal pronunciadas
como: Olá, tudo bem, namorando? Ja casou?
todas elas afirmadas, porém falsas.

Sabia que havia algo a contar
mas ela preferia o silêncio
como resposta aos próprios fantasmas
então calou-se
respondi com partida
-era a melhor forma de diálogo que dominava.
Então...
O sumiço

Como resposta a eventuais frustrações
desfaçamos o olhar cruzado
o eventual encontro, o susto
e as nossas lembranças
com silêncio, raiva e desprezo.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Para os limites da mente















O fio de loucura que escorria sobre seu corpo
não queima mais ao sair  ao sol
nem  a brisa da noite fazias frio ao teu corpo.

O lamento dos ossos pelos passos firmes
não jaz influência sobre a mente suicida
nem os pés da memória clamam por calçados
pois estão sobre a lucidez de outrora.

A música e o  verso que escutas não podem mais salvar-te
restou-lhe abrir as portas trancadas
derrubar os murros fincados de nostalgia e ressentimento
atravessar fronteiras sem armamento algum
onde a roupa do corpo o aquecerá
do mais tenebroso escuro da tua mente suicida
embalando-te ao fio de alegria que
escorrerás pelo mais recôndito espaço triste
e então entoará teus próprios versos.


(Celso Andrade)

segunda-feira, 17 de maio de 2010



Então fumo para queimar pensamentos, não que eu esteja induzindo alguém a fumar, não é nada disso, só estou queimando uma folha de papel, onde não consigo escrever uma linha de pensamento qualquer , então transformo em cinza o que não quer sair da mente, depois escondo tudo debaixo na mesa, para um dia desses catar tudo e viver aquela sensação de tarefa cumprida depois de escrito um conto, poesia ou mesmo uma dessas cartas que não enviamos nunca, cheia de fotos e lembranças antigas, amontoamos na lixeira onde também não é esvaziada com perguntas sem respostas, um tanto bobas um tanto verdadeiras sobre determinada sensação, sentimento vivo, queimada na memória da mesa.


(Celso Andrade)

Entre goles de café

Me pego no ponto fraco da minha carência onde passo a chama-la de absurda, sim absurda porque no ápice do entendimento que penso ter alcançado, deparei-me com o medo de arriscar sobre um campo minado, - o mundo desconhecido dos nossos sentimentos- arriscaremos a razão, sim claro que a razão, sairemos menos feridos, menos machucado, porque nem tudo que é movido pela emotividade todo o tempo, porém nos tornado demasiado pensantes por causa do medo, não medo infantil, medo da frustração amorosa, medo de fantasmas passados - o qual não soubemos dominar e em algum momento nos assombrou, então me senti só e frágil num tempo onde a maturidade não estava escrita no nosso léxico. Foi um dia desses quando o tempo está chuvoso as ruas vazias e você se pergunta o que tem feito de especial onde possa sentir o coração pulsar a um alô escrito numa carta vazia, marcada pela nostalgia. Tudo isso parece a mesma coisa no momento em que vejo sucumbir conceitos e teria sobre a inércia da afetividade, e então lembro o momento em que me foi doado um ser e a sua beleza interna, e o medo me tornou feio, rude e intransitável.


(Celso Andrade)

domingo, 16 de maio de 2010

Dias em tédio

Hoje segrego-me do mundo,
distancio-me do homem que sou
e então pinto-me de preto
e logo passo desapercebido,
viro sombra escondida no canto do meu quarto,
onde nem sempre é silêncio,
onde sempre parto.

É uma vantagem desligar-se do mundo
em dias festivos de alegria
superficialmente forçada,
é o tédio beirando a loucura
é o mundo virando feiúra.

Bateram a porta, sem aviso entraram,
avistaram-me sombra
com um livro aberto,
era silêncio ecoando pela casa
era alguém precisando de espaço,
nem sempre é fácil encontrar,
mas sempre entendem o que faço.


(Celso Andrade)

sábado, 15 de maio de 2010

Meu penúltimo concerto com a Orquestra - São Paulo 2009

Saudades da época...
Para quem não me conhece estou tocando "Flauta" com um  casaco  Preto, para ser mais específico, apareço nos minutos (4:57), (5:08), (9:14 )





(Celso Andrade)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Brasil Negreiro



Navego contra a correnteza num navio onde minha beleza batalha a favor do navio negreiro, onde luto conta o passado de uma geração sem compaixão. Vingo o açoite que estalava o corpo do meu ancestral , racismo - desgraçado que canta as memórias do mundo escravo, solto alienando mentes perdurando até o presente, varreis os mares de miseráveis dixados para trás, procurais pela noite quem usa chicote em seu favor, continuo a navegar e passo pelo povo que não nota-me entrar pelas salas e discursar pelas orquestras, onde os meus de igual DNA não tiveram vez.

(Celso Andrade)

Da simplicidade



Nosso ponto fraco tende a se render a beleza escondida por trás das coisas, estaremos perplexo ante o movimento interior de paz que nos transmite pequenos movimentos no mundo, não saio a rua sem ser seduzido pelo silêncio da manhã, a pausa entre as falas transmitida pelo olhar que remete alguma mensagem, pelo esforço corpóreo com que se dança a natureza, os pássaros possuem o mundo ao aparecer do sol, o vento brinca com folhas como brinca uma criança na água, observo durante pouco tempo tudo se perder a tramitação das pessoas pelas calçadas, ao dinamismo com que a beleza natural é substituída pelo horror humano, a beleza humana dói para aqueles que aprenderam a enxergar o outro lado das coisas, e então me guardo todo, minha beleza escondida aos olhos do mundo, e espero o dia seguinte para contemplar o sorriso da natureza.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Arrepio















É, eu sei...
também me esbarrei ao sair do trabalho
veio me seguindo pelo caminho..
mexeu no meu cabelo
sussurrou no meu ouvido
umas coisas sem sentido
brincou com sacos e folhas pela rua
levantou o vestido das moças
veio até a porta de casa
subiu o assoalho
mas fechei a janela na hora.
Vento dentro de casa deixa muita bagunça
ninguém faz nada depois do trabalho mesmo.


(Celso Andrade)

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Cantiga ao desamor











A cigarra canta
não é porque é triste
e solitária,
ela tem medo
que um dia algum
gafanhoto
cale sua boca
com um beijo desafinado.


(Celso Andrade)

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vadiagem













É muita Audácia  para uma pessoa só
Ninguém reparou nos detalhes do seu vestido
Ninguém percebeu sua voz mais branda
Ninguém te viu passear pelos canteiros da cidade.

É um poço de cheiroso enfeitando a cidade,
mas, ninguém a viu passar
Avisa as moças da cidade que não há concorrência não
É só a primavera maquiando-se para entrar verão.


(Celso Andrade)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Entre Eles


A expressão serena e rude na face,
havia doçura escondida no canto,
um tanto altivo seus segredos
Eles nunca foram normais...

O branco na hora de partir
o perdão pelo silêncio,
a casa da esquina vazia,
Eles nunca foram normais...
(assim falavam os vizinhos do casal).

Hoje a vizinhança acordou em luto
ninguém espreitando na porta ou janela
não há criança na calçada deles
só se sabe que foram viver outra vida,
e depois daquele dia se foram felizes
ninguém saberia, sabiam que a vida
na vila estava morna, morta,
na porta das casas, luto.

O bolero que acordava a vizinhança
não jaz mais na casa sem número
Sempre soube, eles nunca recebiam
visitas ou postais, sempre soube que,
nós nem eles nunca fomos normais...


(Celso Andrade)

Para que serve o desespero,
se sua companhia nos levará a fatalidade?
Seremos assombrados pelo monstro chamado
moralidade,
cruzar os braços nunca foi a melhor maneira
de curar a ferida aberta na alma.

Olho ao redor e observo o quanto somos
demasiados afoito,
imaginando sempre que a fatalidade espreita
nossa porta e por qualquer descuido que é
normal da vida, seremos açoitados, levados
como ovelhas para o matadouro humano e
onde se ficará preso, na mente e coração
das pessoas.

Reservo dentro de mim um lugar de contemplação
onde posso ver um caminho onde o futuro
é um estrada escura cheia de buracos e
monstros humanos caçando alma, ou vejo
uma estrada de barro onde em cada estágio
da vida, o medo será só uma pedra na qual
pisarei com esperança, onde a maturidade
me faça amar melhor as coisas, sem mais ilusão
e menos esperança.

(Celso Andrade)

sábado, 8 de maio de 2010

De vários pontos


O mundo consome o homem,
estar vivo consome a alma,
o homem consome o corpo,
o corpo consome a mente,
apaixonar-se consome tempo
tempo custa dinheiro,
dinheiro custa a dignidade
como é difícil ser humano,
por isso permaneço (pensamento)
da inspiração ao papel.

(Celso Andrade)

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Ao embalo dos corpos suados


E então encontro-me seduzido
pela conversa, pelo jogo de
sedução onde entrei sem perceber
o quanto era importante estar
cativado por alguém, na mente
na vida e no sentimento alheio.

No jogo de corpos entro sem
saber quais são as regras,
é impossível perder algo onde
a tentação é mais alta que
qualquer proposta de casamento,
então me embalo e deixo-me levar
pelo sorriso que fui seduzido,
pela outra-vida que me é doada
aos encontros, essa que não é
nem será parecida com qualquer
experiência vivida anteriormente.


(Celso Andrade)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Fluídos de uma mente inspirada



Não é para os amantes os dias sombrios,
nem as plumas da noite que o elevam,
há os dias guardados de solidão e amor
que se reserva debaixo da cama onde é
sempre dia, onde há campos floridos debaixo
do vestido daquelas que o entram.

Não há sossego para os que tentam
entender seus corações de assombro e
rebeldia, onde seu mundo de sedução
os mantém preso entre sorrisos, dinheiro
e luxúria, pronunciando a mentira
dos lábios beijados na sua própria boca.

A sua única verdade vivida, é a mentirosa
que possui sua mente, seus dias ocos pelas ruas
ouvindo seu silêncio, tentando esquecer o passado
os fantasmas do coração, os sentimentos que assombram
seus dias pairando folhas onde rabisco lágrima,
sorrisos, abraços deixados para trás, enfeito letras
mudando a paisagem de um papel que é oco, vazio
e assombrosamente branco de tanta verdade, porém
fantasioso, nela faço o meu mundo.


(Celso Andrade)

domingo, 25 de abril de 2010



Vou caminhado pela estrada da vida, com alguns silêncios, alguns ardores, onde nenhum ócio é mais pesado, nenhuma vida é mais dilacerante, por trilhas tortas, deformadas ando sem sinal do amor observo passarem os dias e as noites, procurando matar a tal sede daqueles não se encontraram e não encontram seu canto onde encostar a cabeça ao ombro, sentar no solo, pegar na mão, e dá um beijo ao deitar, por essas e outras coisas não desisto da vida, que sua caminhada não seja tediosa nem confusa, quero ter a certeza ao olhar nos olhos ao aperto da mão de quem decidir compartilhar seu mundo ao meu.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Meu coração? Um campo minado


à todos que um dia o amor bateu na sua porta e não escultaram seu singelo chamar.

Após tantas devaneios da personalidade e mudança de comportamento caio dentro de mim mesmo, avisto um cemitério de amores não correspondidos, amores desfeitos por conversas muda que foram contada na vizinhança, amores que apaguei da agenda o telefone, amores que sepultei com dor e desprezo, lançados ribanceira abaixo por silêncio e abandono, amores que esfriaram após a primeira transa, após a recusa da companhia à porta de casa, amores que fingi não reconhecer ao passar na rua, amores que menti a idade para parecer importante e maduro, alguma conversa cortada ao telefone, alguma carta rasgada, algum email deletado, dentro de mim guardo em silêncio todos esses cadáveres que ainda permanecem vivos carnalmente, porém sepultados dentro de mim, porque não dei chance, não percebi a oportunidade, deixei que o ego falasse mais alto que eu, indiferente permaneço com esses sentimentos amontoados onde um dia serei... solidão e tristeza numa varanda onde serei observado pelos corações onde passei e pelos amores que sepultei com minha personalidade fraca e depravada, porque o amor não manda bilhetes.


(Celso Andrade)

terça-feira, 20 de abril de 2010

Respeite o poeta que mora dentro dele mesmo.

Não engane o poeta,
ele te deixará confuso quando disser que:

nunca amou, apenas sentiu o amor

Nunca abandone o poeta,
pois ele dirá que:

o que não durou era pra ser só momento
e que viveu tudo que tinha pra viver
ao seu lado.

Ame o poeta e ele te encobrirá de afeto,
caso contrário estará preso em suas palavras
mesmo depois de sepultado o sentimento.


(Celso Andrade)

Racionalizando afetos


Caio no poço outra vez,
depois.. ressurjo das cinzas
de algo quem um dia chamei afeto,
repasso os olhos onde
só houve sentimento
saio do poço pela "razão"
que não usei antes da queda
tento me afirmar na
lucidez da solidão natural,
de todas que obtive sucesso
dessa vez saio menos ferido
menos machucado da queda
a qual eventualmente cairei
se não souber consumir razão
na mesma medida a afetividade,
menos sôfrego e nunca amando menos
outra vez volto
a primeira palavra dita
o primeiro beijo com sucesso
o último abraço sem êxito
a entrega iludida a qual não percebi
e lá me encontrava
onde não era mais possível reparar
com toda audácia que permiti cair no poço
surjo renovado e menos humano,

volto a ser Eu novamente.


(Celso Andrade)

Fugaz


Todo silêncio foi covardia
todas as partidas foram mentira
toda vida maquinada
escondendo-se de sentimentos alheios,
morrem sem amar
vive sem viver.


(Celso Andrade)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Entre poços e estrelas


A partida é sempre dolorosa, poderíamos pular essa parte, era impossível esquecer como pegávamos na mão, quando seu olhar fitava o meu , nossas bocas entreabertas descobrindo o mais claro sentimento humano, a incompletude no outro, a ausência que antes doía era esquecida com abraços e amassos, lá estava eu... inteiro, dentro do bonito que era ser correspondido, e eu era, sou todo o amor que posso.


(Celso Andrade)

sexta-feira, 16 de abril de 2010


Um dia você descobre que todas as suas convenções sobre o amor, felicidade, a idealização do parceiro ideal, vão por água abaixo quando você descobre que precisava apenas de sentimentos e que relacionamento não é um acordo comercial, e exigências físicas ficam na juventude, e precise apenas de um belo sorriso ao dormir.


à todos que tiveram relações fracassadas pela falta de Maturidade.


(Celso Andrade)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

É tempo de menas palavras,
menos passado
viver menos apressado
Amar esquecendo que esta se amando
sem mais esperança
sem menos confiança.

É dia de menos "adeus"
tentar não querer saber de amanhã
nem projetar-se no outro
saquear corações
saqueando emoções.


(Celso Andrade)

sábado, 10 de abril de 2010

Menina morena

Quanto a vida é besta te deixar ai assim nesse canto
perdendo esse sorriso,
esse encanto que tanto encanta os que ainda estão sóbrios,
menina morena, estou de birra com a vida,
não podemos surfar porque o mar hoje amanheceu quieto
sem ondas, triste sem você morena
hoje não saio de casa,
não canto, não falo,
peço apenas que Deus nos olhe e que seu olhar nos renove.

à Brunna Fachel


(Celso Andrade)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fotografia

Desfaço-me da última coisa que sobrou
do meu casamento com Cristina

uma xícara de café ao lado,
uma rosa despetalando murcha no canto,
chuva la fora e dentro de mim,
o dia ficou registrado na memória

cafeína, lágrima e chuva
no dia da sua partida meus olhos
só registraram isso e você indo embora.


(Celso Andrade)

terça-feira, 6 de abril de 2010

Faces do caminho


Não se culpe por nada,
a vida é feita de idas e vindas,
um dia se chega antes, outro depois
um dia sabe da noticia por alguém
outro nós mesmo caminharemos
até a fatalidade,
Eu sei que nesses desencontros
acabei me fixando na esperança,
no bom lado das coisas,
não chego antes nem atrasado
escolhi morar no caminho,
deparo-me sempre com o amor
numa dessas esquinas da vida.

à minha querida Magda...


(Celso Andrade)

Movimento interior



Hoje só necessito do sorriso
Coisa que me acalente,
saio em busca da companhia,
as vezes é preciso de ombro

Hoje eu perdou o mundo
porque é preciso sentir-se alegre
um instante,
cortar ardores, horrores interno.

Acho mesmo que preciso de dinamismo
que a monotonia da vida não me faça
mais razão e menos coração
É preciso senti-la em cada estágio.



(Celso Andrade)

Fragmento do poço


Meu corpo é fraco, o amor supera qualquer brreira, não adianta me fechar quando ele quiser invadir, só saberei o que aconteceu depois que acabar.

Celso Andrade